Neste 15 de outubro, a Associação Brasileira de Ensino de Filosofia (ABEFil) saúda todas as professoras e todos os professores que, nas salas de aula da Educação Básica e no Ensino Superior de todo o país, sustentam diariamente o compromisso ético e político com a formação humana emancipatória crítica.
Longe de qualquer retórica de romantização que limita a docência a um “sacerdócio”, a um “dom” ou a uma resignada abnegação pessoal, a ABEFil reafirma: ensinar é um ofício, uma profissão. Um trabalho intelectual, pedagógico e socialmente indispensável, que exige rigor teórico, formação específica qualificada e condições materiais dignas de realização.
Contra a Precarização e em Defesa da Dignidade Docente
Celebrar o Dia das Professoras e dos Professores no Brasil de hoje exige coragem para nomear as contradições que atravessam o cotidiano escolar. Não há valorização sem o cumprimento integral do Piso Salarial Profissional Nacional, sem planos de carreira que assegurem a progressão funcional e sem a garantia efetiva da jornada com um terço de hora-atividade destinado ao estudo, planejamento e avaliação pedagógica.
Repudiamos veementemente a crescente terceirização na educação pública, a proliferação de contratos temporários precários e a imposição de plataformas digitais gerencialistas que tentam converter o trabalho vivo da docência em mera execução de tarefas padronizadas por algoritmos.
O Lugar da Filosofia na Escola Básica e a Formação Específica
Para a comunidade de professoras e professores de Filosofia, a data carrega a urgência de defender não apenas dignidade material no ofício da nossa disciplina. Carrega a urgência da luta pela própria permanência da Filosofia como disciplina regular. O processo contínuo de reformas curriculares e o esvaziamento promovido pelas sucessivas formulações do Novo Ensino Médio impuseram perdas brutais à presença da Filosofia na grade escolar, fragmentando-a em itinerários vagos e legitimando a chamada “polivalência precarizante”. Temos plena consciência do quanto o Ensino de Filosofia incomoda e ameaça modelos de poder formados no autoritarismo e na submissão.
A ABEFil reafirma seu posicionamento intransigente: aula de Filosofia deve ser ministrada por professoras e professores com formação inicial específica em nível superior (Licenciatura Plena em Filosofia), deve ser instituída desde o Ensino Fundamental e ter a carga horaria mínima de 2 hora/aulas por semana em todas as séries do Ensino Médio. Rejeitamos qualquer tentativa de substituir a sólida formação conceitual e pedagógica por arranjos de notório saber, complementações pedagógicas ou atribuição compulsória de aulas a docentes de outras áreas sem formação correspondente.
Liberdade de Cátedra: O Chão da Sala de Aula como Território Democrático
A sala de aula de Filosofia não é lugar de passividade ou repetição dogmática. É o território onde a juventude aprende a desnaturalizar o instituído, a formular perguntas radicais, a enfrentar os preconceitos e a construir, pelo diálogo e pelo pensamento rigoroso, sua autonomia intelectual.
Por isso mesmo, a defesa da liberdade de ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento deve ser inegociável. Rejeitamos todas as formas de assédio institucional, censura e perseguição ideológica que buscam intimidar os educadores. Defender a professora e o professor de Filosofia é salvaguardar a própria saúde democrática do país.
Organização Coletiva e Resistência
A esperança que nos move não é a da espera passiva, mas a que se constrói na partilha e na luta coletiva. É nos corredores das escolas, nas assembleias sindicais, nas universidades e nos espaços associativos que tecemos a resistência contra o desmonte da educação pública.
A todas as professoras e a todos os professores que teimam em pensar, fazer pensar e transformar o mundo: nosso respeito, nossa solidariedade e nosso compromisso permanente de luta.
Filie-se à ABEFil e fortaleça a luta pelo ensino de Filosofia em todo o território nacional. Acompanhe nossas ações e publicações em abefil.org.br.







