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ABEFil no 3º Congressinho de Filosofia em Curitiba

Com o tema “Mil vozes: Literatura e Democracia”, o 3º Congressinho de Filosofia, voltado para crianças da Educação Básica, promoveu atividades filosóficas entre os dias 20 e 22 de agosto de 2026, em Curitiba, no Campus Rebouças da UFPR e no Colégio Integral. A Diretora de Pesquisa, Taís Pereira, e o representante do comitê consultivo, Darcísio Muraro, participaram do evento. Assim, a ABEFil esteve presente em mais um ano do Congressinho que, nascido da prática escolar, vem se expandindo filosófica, pedagógica e politicamente na defesa pelo ensino de filosofia e práticas filosóficas com crianças e jovens.

Além da programação voltada para estudantes das redes pública e privada de Curitiba, já consolidada em edições anteriores, o evento também contou com rodas de conversa e debate entre educadoras e educadores. O encerramento da primeira noite, dedicada à democracia, se concentrou na divulgação e discussão da Carta aberta em defesa do ensino de Filosofia na Educação Básica e contou com múltiplas vozes engajadas por uma formação ampla e de qualidade desde a infância. O documento é fruto de um trabalho coletivo de docentes e pesquisadoras/es com ampla experiência no trabalho de Filosofia com crianças e propõe de forma qualificada o reconhecimento, regulamentação e consolidação da presença da Filosofia na grade curricular em todos os níveis da Educação Básica, com especial atenção ao Ensino Fundamental. Essa demanda está plenamente alinhada com um dos compromissos da ABEFil, preconizada nos objetivos e finalidades de nosso estatuto e que explicitamente traz a importância da luta coletiva pelo Ensino de Filosofia em todas as etapas da formação básica.

Temos acompanhado e apoiado, ao lado de nossas entidades regionais parceiras e que fazem parte do comitê permanente de ABEFil, algumas frentes junto às secretarias e câmara de vereadores pela inclusão da disciplina de Filosofia e Sociologia no Ensino Fundamental. Nesse sentido, certamente fazemos parte de um movimento maior, nacional.

Essa movimentação política em Curitiba aponta para a consolidação de uma compreensão de algumas reivindicações comuns a diferentes entidades parceiras, dentre as quais destacamos: 1) a importância formativa da Filosofia para a promoção da criatividade e imaginação; da formulação de argumentos consistentes; da formação da sensibilidade e para uma “pausa do pensamento”, nas palavras de Silvio Gallo, contribuindo para o exercício ativo e crítico da cidadania, bem como de uma compreensão reflexiva de si e de sua relação com o mundo e com os outros seres; 2) a potência da infância para perguntar, pensar e experimentar outros mundos possíveis; 3) o papel da Filosofia na interlocução com outros saberes (formais e não formais) que atravessam a vida escolar e cotidiana; 4) a especificidade do pensamento e investigação filosóficos a serem mobilizados por docentes da área; 5) a formação continuada para o fortalecimento das ações pedagógico-filosóficas (como o Congressinho de Filosofia) junto a estudantes. Os aspectos indicados abrem espaço para a consolidação do ensino de Filosofia enquanto campo da área e possibilitam alinhamentos coletivos de proposições, tais como os documentos apresentados no Congressinho, a despeito de nossas diferenças regionais e locais.

Sabemos a potência que é o caráter formativo filosófico. Ao entrar nas salas de aula da Educação Básica, a Filosofia não chega apenas às e aos estudantes que ali convivem com suas professoras e professores. Antes, ela provoca o espaço escolar e sua comunidade: diferentes funcionárias/os, familiares, amigas e amigos. A Filosofia na escola conversa, em suma, com a sociedade, ao se fazer presente nas atividades de debate, escuta atenta e elaboração de propostas realizadas pelas e pelos estudantes. A Filosofia na escola, em seus diferentes níveis, dialoga com o mundo: não aquele restrito a especialistas, mas relativo a questões propriamente humanas de existir. Questões essas que, como diz a carta aberta do Congressinho, já estão presentes na mais tenra infância.

Ao defendermos a presença da Filosofia no Ensino Fundamental e também na Educação Infantil, a ABEFil assume que os valores e atividades desenvolvidos no Congressinho estão além de um saber hermético, abstrato e disponível a poucas pessoas. Assumimos coletivamente a reivindicação pelo direito aos saberes construídos social e historicamente e pelo direito de tempo para o pensamento. A carta aberta destaca, assim, a necessidade de superação entre teoria e prática e indica que nossas investigações em torno do campo do ensino de Filosofia são indissociadas de articulações conjuntas efetivas.

Nesse sentido, a ABEFil, com ajuda de suas/eus associadas/os, do comitê permanente de associações, formado pelas entidades regionais voltadas para a defesa da Filosofia, bem como o conselho consultivo, vem materializando esse projeto, nascido há décadas de formar uma entidade nacional em torno da defesa do ensino e práticas filosóficos. Esperamos que o proveitoso encontro e o rico debate ocorridos no dia 20 de agosto seja a semente de ações mais amplas em Curitiba e no Paraná na luta conjunta pelo ensino de Filosofia. Agradecemos a toda equipe organizadora do Congressinho pela acolhida e troca, especialmente na figura do professor Adriano Felix, do professor Darcísio Muraro e da professora Karen Franklin. Sigamos juntas e juntos!

Autor

  • Taís Silva Pereira

    Possui graduação, mestrado e doutorado em Filosofia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Tem pós-doutorado em Educação pela Universidade de Passo Fundo. É professora do CEFET-RJ desde 2010, atuando nos âmbitos do Ensino, Pesquisa e Extensão. É professora permanente do PPFEN e professora colaboradora do PROF-FILO, polo UNIRIO. É co-líder do Grupo de Pesquisa Filosofia e Ensino, cadastrado no CNPq. Integrou o conselho fiscal da Diretoria da ANPOF e coordenou a Comissão de Trabalho sobre o Ensino de Filosofia da ANPOF (Biênio 2023-2024). Tem experiência na área de Filosofia, com ênfase em Filosofia Política, Ensino de Filosofia e Produção de Material Didático para o Ensino de Filosofia. Atualmente é Diretora de Pesquisa na ABEFil.

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