Uma conversa espiralada entre o terreiro e a ancestralidade: infância, comunidade e pertencimento
Informações
Autor(es)
CUNHA, edna olimpia da; FLOR DO NASCIMENTO, wanderson
Ano de Publicação
2025
Referência Completa
CUNHA, edna olimpia da; FLOR DO NASCIMENTO, wanderson. uma conversa espiralada entre o terreiro e a ancestralidade: infância, comunidade e pertencimento. child.philo, Rio de Janeiro , v. 21, e202589258, 2025 . Disponível em <http://educa.fcc.org.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1984-59872025000100300&lng=pt&nrm=iso>
Resumo
O texto apresenta uma conversa entre a professora Edna Olimpia da Cunha e o professor Wanderson Flor do Nascimento, realizada na histórica Pedra do Sal, no Rio de Janeiro, que discute a infância a partir das tradições africanas e dos modos de pensar dos terreiros. O diálogo aborda o tempo espiral e a figura de Exu, que, representado como uma criança, carrega a memória coletiva e brinca com o tempo, conectando passado e presente. Essa perspectiva rompe com visões lineares e ocidentais de infância, reconhecendo as crianças como manifestações vivas da ancestralidade. A noção de comunidade é central na conversa, sendo descrita como uma entidade histórica e relacional que antecede e sustenta o indivíduo. A educação, por sua vez, é abordada como um processo contínuo, relacional e coletivo, enraizado nas práticas comunitárias, na oralidade e na ética. Nos terreiros, a ancestralidade é vivida no presente, desafiando lógicas neoliberais e coloniais que fragmentam a coletividade e priorizam o individualismo. A professora e o professor destacam o papel político dos terreiros como espaços de resistência e formação, os quais integram tradição, pertencimento e transformação. As práticas valorizam a interdependência entre os membros da comunidade, criando modos alternativos de existir e educar. A continuidade desse modelo formativo, que questiona paradigmas hegemônicos, depende de um engajamento político e comunitário capaz de sustentar essas formas ancestrais de convivência, memória e formação.





