Os múltiplos panoramas do ensino de filosofia no ensino médio brasileiro a partir do PROF-FILO
Informações
Autor(es)
PEREIRA, Valmir (Apres.)
Ano de Publicação
2025
Referência e Conteúdo
Referência Completa
Revista Problemata: Revista Internacional de Filosofia. Edição Especial Os múltiplos panoramas do ensino de filosofia no ensino médio brasileiro a partir do PROF-FILO, v. 16 n. 1 (2025). Link: https://periodicos.ufpb.br/index.php/problemata/issue/view/3192
Resumo
Apresetação de Vallmir Pereira:
Na trajetória da filosofia, um dos maiores desafios é como ela pode ser ensinada. No seu percurso apareceram diferentes abordagens e metodologias apontando os processos de ensino e suas repercussões na educação. Em cada momento histórico, fruto de seu contexto e de seus territórios, ela foi ensinada em
conformidade com as expressões e modos de produção de seu tempo. Nesse sentido, ela flertou com diferentes regimes de governo, aderindo, se opondo ou até se ausentando.
As transformações sociais, resultantes das decisões de diferentes segmentos e movimentos sociais e contextos, forjaram significativa diversidade de concepções de ser humano, ligadas a esses contextos históricos. Tais decisões tinham como objetivo uma certa formação humana para atividades requeridas pelo modo de produção vigente e pela reprodução daquelas sociedades.
Uma das marcas mais visíveis nesse processo foi a perpetuação de uma filosofia masculina, patriarcal, racista, misógina, com expressão do eurocentrismo, reforçando a ideia de que a filosofia é universal e, portanto, única. Enquanto isso, aqui nos trópicos, a filosofia ora estava no currículo como espelho daquele eurocentrismo, ora estava excluída do currículo. E como resistência, diferentes docentes e movimentos sociais se ergueram em defesa da filosofia na Educação Básica, especialmente a partir da década de 1970.
Entretanto, não bastava estar no currículo se o conteúdo filosófico era estranho àquela comunidade e assim, era apenas um instrumento de colonização das mentes, uma catequese excludente. Uma das formas de resistência e ampliação do debate e inserção de novas temáticas foi aos poucos encontrando espaços em eventos acadêmicos, em alguns Estados brasileiros mais abertos à recepção de outras filosofias.
O desafio maior estava nos Projetos Pedagógicos de Curso - PPC de Licenciatura em Filosofia que (de)formavam gerações de docentes no Brasil, expressando aquela filosofia marcadamente eurocentrada e universal excludente. Para superar essa problemática, a solução foi ocupar os programas de Pós-graduação stricto sensu e inserir outras filosofias, visando a formação do corpo docente que atuaria diretamente na Educação Básica. Foi nesse exato momento que se percebeu que os programas acadêmicos, salvo uma ou outra exceção, compreendiam e ainda compreendem que a filosofia é
grega, masculina, patriarcal e branca.
É desse contexto histórico de exclusões múltiplas que, no início de 2015, um grupo de professoras e professoras de diferentes Instituições de Ensino Superior (IES) do Brasil, debateram e finalizaram uma proposta de criação de um Mestrado que contemplasse as diferentes abordagens e concepções a partir da categoria Ensino de Filosofia. Em 2016 saiu o primeiro edital de seleção para docentes da Educação Básica, cuja primeira turma teve início em 2017.
Este programa nasceu como resistência, como expressão da pluriversalidade, reconhecendo a multiplicidade das filosofias particulares, enquanto territórios nacionais, a diversidade de gênero ao fazer justiça as diferentes contribuições das mulheres na história da filosofia.
Assim, nesses quase dez anos de existência, o PROF-FILO tem 419 dissertações defendidas, sendo 32 delas no Núcleo UFCG. Tais temáticas indicam uma riqueza extraordinária, pluriversalmente representada.
Na trajetória da filosofia, um dos maiores desafios é como ela pode ser ensinada. No seu percurso apareceram diferentes abordagens e metodologias apontando os processos de ensino e suas repercussões na educação. Em cada momento histórico, fruto de seu contexto e de seus territórios, ela foi ensinada em
conformidade com as expressões e modos de produção de seu tempo. Nesse sentido, ela flertou com diferentes regimes de governo, aderindo, se opondo ou até se ausentando.
As transformações sociais, resultantes das decisões de diferentes segmentos e movimentos sociais e contextos, forjaram significativa diversidade de concepções de ser humano, ligadas a esses contextos históricos. Tais decisões tinham como objetivo uma certa formação humana para atividades requeridas pelo modo de produção vigente e pela reprodução daquelas sociedades.
Uma das marcas mais visíveis nesse processo foi a perpetuação de uma filosofia masculina, patriarcal, racista, misógina, com expressão do eurocentrismo, reforçando a ideia de que a filosofia é universal e, portanto, única. Enquanto isso, aqui nos trópicos, a filosofia ora estava no currículo como espelho daquele eurocentrismo, ora estava excluída do currículo. E como resistência, diferentes docentes e movimentos sociais se ergueram em defesa da filosofia na Educação Básica, especialmente a partir da década de 1970.
Entretanto, não bastava estar no currículo se o conteúdo filosófico era estranho àquela comunidade e assim, era apenas um instrumento de colonização das mentes, uma catequese excludente. Uma das formas de resistência e ampliação do debate e inserção de novas temáticas foi aos poucos encontrando espaços em eventos acadêmicos, em alguns Estados brasileiros mais abertos à recepção de outras filosofias.
O desafio maior estava nos Projetos Pedagógicos de Curso - PPC de Licenciatura em Filosofia que (de)formavam gerações de docentes no Brasil, expressando aquela filosofia marcadamente eurocentrada e universal excludente. Para superar essa problemática, a solução foi ocupar os programas de Pós-graduação stricto sensu e inserir outras filosofias, visando a formação do corpo docente que atuaria diretamente na Educação Básica. Foi nesse exato momento que se percebeu que os programas acadêmicos, salvo uma ou outra exceção, compreendiam e ainda compreendem que a filosofia é
grega, masculina, patriarcal e branca.
É desse contexto histórico de exclusões múltiplas que, no início de 2015, um grupo de professoras e professoras de diferentes Instituições de Ensino Superior (IES) do Brasil, debateram e finalizaram uma proposta de criação de um Mestrado que contemplasse as diferentes abordagens e concepções a partir da categoria Ensino de Filosofia. Em 2016 saiu o primeiro edital de seleção para docentes da Educação Básica, cuja primeira turma teve início em 2017.
Este programa nasceu como resistência, como expressão da pluriversalidade, reconhecendo a multiplicidade das filosofias particulares, enquanto territórios nacionais, a diversidade de gênero ao fazer justiça as diferentes contribuições das mulheres na história da filosofia.
Assim, nesses quase dez anos de existência, o PROF-FILO tem 419 dissertações defendidas, sendo 32 delas no Núcleo UFCG. Tais temáticas indicam uma riqueza extraordinária, pluriversalmente representada.




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