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Do CNE ao Congresso Nacional: a regulação da Lei nº 15.468/2026 e as batalhas decisivas pelo currículo e pelo PIBID

Na última sexta-feira, 4 de setembro de 2026, a Associação Brasileira de Ensino de Filosofia (ABEFil), ao lado de entidades parceiras do campo das Ciências Humanas e Sociais (FENEFIL, APROFFESP, ABECS e APROFFIB), esteve reunida virtualmente com o presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE), César Callegari. O centro da pauta foi a discussão dos desdobramentos imediatos da Lei nº 15.468/2026, que inseriu a “Educação Política e Direitos da Cidadania” no artigo 26 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB).

A audiência abriu um canal institucional indispensável. Diante dos apontamentos apresentados pelas representações docentes, o presidente do CNE demonstrou sensibilidade às nossas preocupações e expressou a disposição do colegiado em dialogar diretamente com as entidades na elaboração de uma diretriz normativa que oriente estados e municípios.

Entre os encaminhamentos firmados no encontro, destacam-se quatro pontos:

  1. Comitê de Trabalho no CNE: Abertura formal de um grupo técnico encarregado de iniciar a regulamentação da Lei nº 15.468/2026 para as redes estaduais e municipais;
  2. Revisão Conceitual da LDB: Acolhimento da demanda para sanar dubiedades e ambiguidades redacionais na legislação que frequentemente abrem brechas para o improviso pedagógico na Educação Básica;
  3. Mesa Ampliada com o Colegiado: Agendamento prévio de uma audiência ampliada entre as associações de Filosofia e Sociologia e os conselheiros do CNE, prevista para 7 de outubro de 2026;
  4. Continuidade Imediata: Fixação de uma nova reunião técnica de acompanhamento para o próximo dia 11 de setembro de 2026.
Print da reunião online ocorrida entre as entidades e o CNE.
A Disputa no CNE: Barrar o Improviso e Exigir Habilitação Específica

A nossa intervenção junto ao CNE decorre de uma constatação que vimos denunciando desde a tramitação do texto no Congresso: a Lei nº 15.468/2026 padece de uma perigosa omissão técnica ao criar o componente sem vinculá-lo expressamente às licenciaturas de Filosofia e Sociologia.

Sem uma regulamentação estrita do CNE, corre-se o risco iminente de ver secretarias de educação fragmentarem conteúdos de política e cidadania em apostilas superficiais ou atribuindo essas aulas a profissionais sem formação específica, reeditando práticas que remetem às antigas disciplinas morais e cívicas do período autoritário. Cidadania, ética, instituições republicanas e direitos humanos são categorias teóricas rigorosas, cuja mediação pedagógica exige a densidade epistemológica própria da Filosofia e das Ciências Sociais. Reivindicamos do CNE que esses conteúdos sejam ministrados exclusivamente por docentes habilitados nas respectivas áreas.

A Recomposição Curricular: Urgência do PL nº 1.466/2026

Essa frente de trabalho no órgão normativo da educação, contudo, é indissociável da nossa luta parlamentar. A simples regulação de temas de cidadania não resolve o esvaziamento estrutural promovido pelas sucessivas reformas do Ensino Médio. Por essa razão, a ABEFil segue mobilizada pela célere tramitação e aprovação do Projeto de Lei nº 1.466/2026 na Câmara dos Deputados, relatado pela Deputada Maria do Rosário, bem como da Sugestão Legislativa nº 05/2026 no Senado Federal. Ambas as proposições reparam a desidratação curricular ao estabelecerem, no mínimo, duas horas semanais obrigatórias de Filosofia e Sociologia em todas as séries do Ensino Médio. O direito das juventudes ao pensamento autônomo requer espaço próprio e garantido na matriz horária.

Mobilização Resulta em Conquista: O PIBID Aprovado no Senado

A coerência da nossa trincheira reside em compreender que não há currículo sólido sem professores valorizados e com sólida formação inicial. É com esse espírito de combate coletivo que registramos uma vitória fundamental: a aprovação pelo Senado Federal do Projeto de Lei nº 2.269/2026.

Acelerar a votação da matéria por meio do Requerimento de Urgência RQS nº 482/2026 (apresentado pelo Senador Flávio Arns) foi fruto direto da articulação capitaneada pelo Fórum Nacional dos Coordenadores do PIBID (FORPIBID) com o apoio da ABEFil, da FENEFIL e de entidades do campo educacional. O projeto transforma o PIBID em Política de Estado, com orçamento próprio protegido na Lei Orçamentária Anual (LOA), superando a crônica instabilidade de editais que ameaçava paralisar subprojetos em todo o país.

Com a deliberação concluída no Parlamento, a matéria segue agora para a mesa do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva para sanção presidencial. A nossa tarefa imediata é manter a pressão pública pela sanção integral do texto, sem vetos fiscais ou operacionais.

Da regulação curricular no CNE à aprovação do PL nº 1.466/2026 na Câmara e à sanção definitiva do PIBID, demonstramos que a categoria docente não assiste passivamente ao desmonte. Seguimos organizados em cada trincheira em defesa do ensino público, democrático e socialmente referenciado.

Autores

  • José Aldo Camurça de Araújo Neto

    Professor EBTT do Instituto Federal do Sertão pernambucano, Campus Petrolina Zona Rural. Representante do Fórum da Rede Federal dos Professores de Filosofia dos IFs. Professor Permanente de 2 progrmas de Pós-Graduação: Prof-Filo e UECE. Professor Colaborador do Mestrado Profissional em Educação profissional e Tecnológica (ProfETP).

  • Gilberto Miranda Jr

    Professor licenciado em Filosofia e Ciências Sociais. Mestrando em Ensino de Filosofia pela UFABC. Especialização em Antropologia, Psicopedagogia, Processos Didáticos-pedagógicos para Cursos à Distância e Inovação em Educação Mediada por Tecnologias. Experiência em Ensino Fundamental II, Ensino Médio, EJA e Ensino Superior. Atualmente, Mediador pedagógico na FMU e Webmaster na ABEFil.

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