{"id":20666,"date":"2026-09-27T21:33:24","date_gmt":"2026-09-28T00:33:24","guid":{"rendered":"https:\/\/abefil.org.br\/?p=20666"},"modified":"2026-09-27T22:11:11","modified_gmt":"2026-09-28T01:11:11","slug":"pensar-o-ensino-de-filosofia-a-partir-dos-marcos-regulatorios-da-inteligencia-artificial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/abefil.org.br\/en\/2026\/09\/27\/pensar-o-ensino-de-filosofia-a-partir-dos-marcos-regulatorios-da-inteligencia-artificial\/","title":{"rendered":"Pensar o Ensino de Filosofia a partir dos Marcos Regulat\u00f3rios da Intelig\u00eancia Artificial"},"content":{"rendered":"<p class=\"lead\">A acelera\u00e7\u00e3o da Intelig\u00eancia Artificial na educa\u00e7\u00e3o brasileira coloca desafios urgentes para a forma\u00e7\u00e3o e atua\u00e7\u00e3o docentes, para a integridade da pesquisa cient\u00edfica e para a sobreviv\u00eancia do, j\u00e1 combalido, pensamento cr\u00edtico na escola p\u00fablica. Nesse ensaio, analiso criticamente os marcos regulat\u00f3rios recentes do CNE, CNPq e CAPES, articulando-os aos conceitos de governamentalidade algor\u00edtmica, tecnofeudalismo e colonialismo de dados. Ao final argumento sobre a necessidade de um Ensino de Filosofia como pr\u00e1tica de insubmiss\u00e3o e letramento cr\u00edtico digital.<\/p>\n<h2>O Canto de Sereia do Solucionismo e a Captura da Escola<\/h2>\n<p>A ofensiva corporativa transnacional que busca naturalizar a introdu\u00e7\u00e3o de sistemas de intelig\u00eancia artificial generativa no cotidiano educacional opera por meio de uma mec\u00e2nica discursiva e ideol\u00f3gica que, conforme den\u00fancia de\u00a0 Morozov (2018), estabelece o solucionismo tecnol\u00f3gico como norma incontest\u00e1vel. Sob o pretexto da personaliza\u00e7\u00e3o da aprendizagem, da automa\u00e7\u00e3o de tarefas burocr\u00e1ticas e da adapta\u00e7\u00e3o compuls\u00f3ria \u00e0s exig\u00eancias do mercado corporativo, os conglomerados digitais produzem uma atmosfera de fatalismo hist\u00f3rico, onde consolida-se a premissa de que a media\u00e7\u00e3o algor\u00edtmica representaria a culmin\u00e2ncia inevit\u00e1vel da moderniza\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica, convertendo qualquer resist\u00eancia te\u00f3rica em sintoma de obscurantismo ou anacronismo.<\/p>\n<p>No entanto, quando afastamos a propaganda empresarial e investigamos a materialidade no ch\u00e3o da escola p\u00fablica, a din\u00e2mica revela sua real teleologia. A primeira coisa que constatamos \u00e9 que n\u00e3o se trata de uma demanda nascida da comunidade escolar. \u00c9 da urg\u00eancia expansiva do pr\u00f3prio capital em sua fase tecnofeudal (Durand, 2020), como tamb\u00e9m acontece em outras \u00e1reas da exist\u00eancia, que essa demanda se forma e tem colonizado todos os aspectos da vida. Em consequ\u00eancia, as institui\u00e7\u00f5es de ensino s\u00e3o convertidas em terminais de extra\u00e7\u00e3o ininterrupta de dados brutos e em mercados cativos para o consumo de licen\u00e7as de software. Ao contr\u00e1rio de um apoio did\u00e1tico, a intelig\u00eancia artificial generativa tem atuado como precursora de uma expropria\u00e7\u00e3o sem precedentes da pr\u00f3pria experi\u00eancia formativa, substituindo o trabalho intelectual vivo e o di\u00e1logo interpessoal pela previsibilidade estat\u00edstica de modelos matem\u00e1ticos (Wilke, 2017).<\/p>\n<p>Em artigo anterior publicado na <a class=\"ng-star-inserted\" href=\"https:\/\/periodicos.ufsm.br\/refilo\/article\/view\/94857?utm_source=gemini\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-hveid=\"6\">Revista Digital de Ensino de Filosofia (REFilo)<\/a>, ao analisar a plataformiza\u00e7\u00e3o da escola p\u00fablica paulista, apontei que a imposi\u00e7\u00e3o de aplicativos e tecnologias gerenciais funcionava como dispositivo neoliberal de domestica\u00e7\u00e3o do trabalho docente e esvaziamento das humanidades. Naquele contexto, ficou patente que a resist\u00eancia docente n\u00e3o se faz pela tecnofobia, mas pela desmistifica\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da ferramenta. Com a expans\u00e3o vertiginosa das IAs generativas, essa premissa torna-se ainda mais urgente, at\u00e9 porque, em oposi\u00e7\u00e3o a declara\u00e7\u00f5es recorrentes, os artefatos t\u00e9cnicos n\u00e3o possuem neutralidade axiol\u00f3gica. Ou seja, n\u00e3o se trata de meras ferramentas que correm o risco de mau uso repreens\u00edvel. Como demonstram Couldry e Mejias (2019), a tecnologia corporativa materializa uma ordem pol\u00edtica voltada \u00e0 apropria\u00e7\u00e3o e \u00e0 vigil\u00e2ncia. No contexto da sala de aula, o aut\u00f4mato apresentado como &#8220;assistente&#8221; desapossa o professor de sua autoria docente, da sua liberdade de c\u00e1tedra e de sua autoridade epistemol\u00f3gica, impondo m\u00e9tricas gerencialistas que reduzem a forma\u00e7\u00e3o humana ao desempenho quantific\u00e1vel (Wilke, 2023). Portanto, problematizar as respostas institucionais a esse fen\u00f4meno requer desmistificar o fetiche t\u00e9cnico e examinar as rela\u00e7\u00f5es de poder inscritas nos aparelhos regulat\u00f3rios do Estado.<\/p>\n<h2>As Diretrizes Institucionais sob Suspeita: CNE, CNPq e CAPES<\/h2>\n<p>A recente publica\u00e7\u00e3o de atos normativos pelos \u00f3rg\u00e3os federais expressa uma bem-vinda tentativa de estabelecer barreiras defensivas ante a desestabiliza\u00e7\u00e3o provocada pela dissemina\u00e7\u00e3o das ferramentas generativas. \u00c9 poss\u00edvel reconhecer nessas diretrizes m\u00e9ritos ineg\u00e1veis, mas permanecem inconsist\u00eancias estruturais que n\u00e3o afetam a hegemonia das corpora\u00e7\u00f5es privadas sobre o ensino e a pesquisa.<\/p>\n<p>No \u00e2mbito da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica e Superior, o Conselho Nacional de Educa\u00e7\u00e3o (CNE) aprovou diretrizes que delimitam salvaguardas necess\u00e1rias (<a href=\"https:\/\/www.gov.br\/mec\/pt-br\/cne\/2026\/maio-2026\/texto-referencia-inteligencia-artificial-consulta-publica.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Brasil, 2026a<\/a>). Destaca-se como m\u00e9rito a interdi\u00e7\u00e3o expressa da substitui\u00e7\u00e3o f\u00edsica ou funcional do docente por agentes artificiais, bem como o enquadramento como pr\u00e1tica de alto risco de qualquer sistema algor\u00edtmico voltado \u00e0 atribui\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica de notas ou \u00e0 corre\u00e7\u00e3o desprovida de media\u00e7\u00e3o humana. Ao proibir a transfer\u00eancia do ju\u00edzo pedag\u00f3gico \u00e0 m\u00e1quina, o documento busca assegurar a dignidade do trabalho docente e o car\u00e1ter intersubjetivo da avalia\u00e7\u00e3o formativa. No entanto, ao curvar-se ao\u00a0paradigma da conformidade \u00e9tica e da gest\u00e3o individual de riscos, incorre-se em uma inconsist\u00eancia que revela o desconhecimento da pr\u00f3pria estrutura que constrange o docente cotidianamente: o texto prescreve o uso respons\u00e1vel aos educadores, mas omite as condi\u00e7\u00f5es materiais em que as redes p\u00fablicas operam. Como apontei ao analisar a plataformiza\u00e7\u00e3o do ensino (<a href=\"https:\/\/periodicos.ufsm.br\/refilo\/article\/view\/94857\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Miranda Junior, 2026<\/a>), a introdu\u00e7\u00e3o de ecossistemas digitais se d\u00e1 por contratos verticais firmados por secretarias de educa\u00e7\u00e3o com empresas transnacionais. O Conselho Nacional de Educa\u00e7\u00e3o alerta para os riscos do perfilamento de dados (Brasil, 2026a), mas desconsidera que a infraestrutura das escolas p\u00fablicas j\u00e1 se encontra terceirizada aos servidores propriet\u00e1rios dessas corpora\u00e7\u00f5es, transformando o apelo \u00e9tico em recomenda\u00e7\u00e3o in\u00f3cua frente \u00e0 captura institucional j\u00e1 consumada.<\/p>\n<p>Na p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o e na pesquisa acad\u00eamica, a Portaria n\u00ba 2.664 do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico, CNPq (<a href=\"https:\/\/www.gov.br\/cnpq\/pt-br\/assuntos\/noticias\/cnpq-em-acao\/cnpq-publica-portaria-que-institui-politica-de-integridade-na-atividade-cientifica\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Brasil, 2026b<\/a>) e os relat\u00f3rios da Coordena\u00e7\u00e3o de Aperfei\u00e7oamento de Pessoal de N\u00edvel Superior, CAPES (<a href=\"https:\/\/www.gov.br\/capes\/pt-br\/centrais-de-conteudo\/23042025_Relatorio_2575649_A_inteligencia_artificial_na_pesquisa_e_no_fomento.pdf\/@@display-file\/file\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Brasil, 2025<\/a>) fixam que a autoria \u00e9 prerrogativa exclusivamente humana e tornam mandat\u00f3ria a declara\u00e7\u00e3o transparente do uso de ferramentas generativas, seja no conte\u00fado, seja metodologicamente. Ressalto a pertin\u00eancia da norma do CNPq que pro\u00edbe avaliadores de utilizarem intelig\u00eancia artificial na reda\u00e7\u00e3o de pareceres de m\u00e9rito (Brasil, 2026b). Pudera, a avalia\u00e7\u00e3o entre pares demanda responsabilidade te\u00f3rica e hermen\u00eautica; deleg\u00e1-la ao c\u00e1lculo sint\u00e9tico probabil\u00edstico liquidaria a pr\u00f3pria raz\u00e3o de ser da comunidade cient\u00edfica. A contradi\u00e7\u00e3o dessas normas, entretanto, aflora quando confrontada com a engrenagem de avalia\u00e7\u00e3o que as pr\u00f3prias ag\u00eancias imp\u00f5em aos programas de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o. Exige-se integridade artesanal de pesquisadores submetidos a uma l\u00f3gica de produtivismo acelerado e ranqueamento quantitativo cont\u00ednuo. Como analisam Silva e Wilke (2023), na economia informacional o valor reside no fluxo e no volume dos dados, e n\u00e3o na densidade reflexiva. A institucionalidade pressiona o cientista a produzir no ritmo da m\u00e1quina e, simultaneamente, publica portarias punindo o recurso aos atalhos sint\u00e9ticos. Sem romper com a tirania m\u00e9trica que alimenta o produtivismo acad\u00eamico, as diretrizes de integridade tornam-se prescri\u00e7\u00f5es burocr\u00e1ticas incapazes de frear a aliena\u00e7\u00e3o da escrita.<\/p>\n<h2>Da Redu\u00e7\u00e3o Estat\u00edstica ao Tecnofeudalismo Acad\u00eamico<\/h2>\n<p>A elucida\u00e7\u00e3o da atual crise imposta pela plataformiza\u00e7\u00e3o e pelo uso indiscriminado da intelig\u00eancia artificial requer a articula\u00e7\u00e3o de categorias anal\u00edticas da filosofia pol\u00edtica e da economia pol\u00edtica contempor\u00e2neas. A no\u00e7\u00e3o de governamentalidade algor\u00edtmica desenvolvida por Rouvroy e Berns (2018) permite apreender a muta\u00e7\u00e3o do poder sobre a constru\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria subjetividade. Distanciando-se dos modelos disciplinares pan\u00f3pticos investigados por Foucault (2008), a racionalidade algor\u00edtmica dispensa o necess\u00e1rio confronto com a consci\u00eancia reflexiva humana. Isso porque ela atua na escala dos tra\u00e7os infra-individuais coletados em tempo real, gerando correla\u00e7\u00f5es estat\u00edsticas destinadas a modular e antecipar comportamentos antes mesmo da manifesta\u00e7\u00e3o da vontade (Rouvroy; Berns, 2018). Ou seja, somos reduzidos ao quantific\u00e1vel estatisticamente, pois o sistema generativo desconhece o sentido, a verdade e a d\u00favida; ele opera por emparelhamento probabil\u00edstico, calculando a distribui\u00e7\u00e3o vetorial do pr\u00f3ximo segmento lingu\u00edstico a partir de padr\u00f5es previamente indexados. Quando esse maquinismo \u00e9 al\u00e7ado a modelo de intelig\u00eancia no espa\u00e7o formativo, assiste-se ao empobrecimento ontol\u00f3gico da linguagem e \u00e0 elimina\u00e7\u00e3o da aporia, substituindo-se a experi\u00eancia do pensamento dissidente pela conforma\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00e9dia recursiva dos bancos de dados (<a href=\"https:\/\/www.greeneuropeanjournal.eu\/algorithmic-governmentality-and-the-death-of-politics\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Rouvroy, 2020<\/a>).<\/p>\n<p>Essa estrutura consolida o que Varoufakis (2023) e Durand (2020) denominam tecnofeudalismo. As grandes corpora\u00e7\u00f5es propriet\u00e1rias do capital em nuvem e das redes de processamento operam como senhores de feudos digitais. A apropria\u00e7\u00e3o do excedente n\u00e3o se d\u00e1 pela concorr\u00eancia cl\u00e1ssica de mercado, mas pela extra\u00e7\u00e3o de renda de acesso. Professores e alunos tornam-se servos digitais cuja produ\u00e7\u00e3o textual e pedag\u00f3gica alimenta gratuitamente os modelos das plataformas, recebendo em troca a depend\u00eancia funcional e o pagamento perp\u00e9tuo de alugu\u00e9is de software (Varoufakis, 2023). Esse movimento reitera a l\u00f3gica do colonialismo de dados descrita por Couldry e Mejias (2019). O colonialismo hist\u00f3rico espoliou mat\u00e9rias-primas e territ\u00f3rios geogr\u00e1ficos; o colonialismo de dados contempor\u00e2neo expropria a experi\u00eancia humana e a intelig\u00eancia social acumulada. Monop\u00f3lios sediados no Norte global executaram a raspagem (<em>scraped<\/em>) indiscriminada de teses, livros e documentos p\u00fablicos sem consentimento ou remunera\u00e7\u00e3o para treinar os modelos de linguagem das corpora\u00e7\u00f5es e alimentar seus sistemas computacionais (Zuboff, 2020). Em seguida, esse mesmo conhecimento, agora homogeneizado e pasteurizado pelas diretrizes corporativas do Vale do Sil\u00edcio, \u00e9 vendido de volta \u00e0s universidades e escolas do Sul global sob a forma de assinaturas mensais e plataformas propriet\u00e1rias. A depend\u00eancia acad\u00eamica adquire, assim, uma materialidade tecnol\u00f3gica in\u00e9dita, consolidando uma subordina\u00e7\u00e3o epist\u00eamica que debilita a soberania cient\u00edfica nacional.<\/p>\n<p>Essa expropria\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica repercute diretamente no esgotamento da pr\u00e1tica docente. Como demonstra Wilke (2023), a plataformiza\u00e7\u00e3o educacional erige uma Escola do Cansa\u00e7o, na qual o professor tem sua autonomia pedag\u00f3gica desmantelada e \u00e9 rebaixado \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de executor de interfaces prescritivas. Trata-se do avan\u00e7o do dispositivo informacional (Wilke, 2009), que captura o trabalho vivo mediante uma psicopol\u00edtica algor\u00edtmica fundada no autocontrole e na cobran\u00e7a ininterrupta por engajamento (Han, 2014, 2022).<\/p>\n<h2>O Ensino de Filosofia como Pr\u00e1tica de Insubmiss\u00e3o e Letramento Cr\u00edtico Digital<\/h2>\n<p>Diante dessa engrenagem de captura e dociliza\u00e7\u00e3o subjetiva, qual seria a miss\u00e3o do Ensino de Filosofia? Parece-nos inevit\u00e1vel que, nesse terreno minado pela governamentalidade e pela expropria\u00e7\u00e3o, o Ensino de Filosofia urge demarcar sua posi\u00e7\u00e3o. E ela precisa ser uma posi\u00e7\u00e3o de combate. A postura docente n\u00e3o pode degenerar em celebra\u00e7\u00e3o instrumental da engenharia de <em>prompts<\/em>, nem tampouco na ilus\u00e3o do isolamento nost\u00e1lgico. Estamos diante da necess\u00e1ria emerg\u00eancia de uma nova miss\u00e3o pedag\u00f3gica na Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica e no Ensino Superior: assumir a sala de aula como espa\u00e7o de insubmiss\u00e3o epist\u00eamica (Miranda Junior, 2026; Wilke; Miranda Junior, 2025). Essa necessidade emerge porque a oposi\u00e7\u00e3o entre o algoritmo e o ato de filosofar \u00e9 irreconcili\u00e1vel, \u00e9 ontol\u00f3gica. Enquanto a m\u00e1quina generativa busca a resposta prov\u00e1vel que aplaca o atrito conceitual, a Filosofia nasce da inquieta\u00e7\u00e3o e sustenta a pergunta apor\u00e9tica. O aut\u00f4mato entrega a s\u00edntese ass\u00e9ptica do saber acumulado; a Filosofia conclama \u00e0 hesita\u00e7\u00e3o c\u00e9tica, ao reconhecimento da ignor\u00e2ncia e \u00e0 coragem da den\u00fancia veraz contra o poder institu\u00eddo, resgatando o sentido da <em>parrhes\u00eda<\/em> (Foucault, 2008). O modelo preditivo baseia-se na recursividade fechada: ele recombina o que j\u00e1 foi dito, cristalizando e reiterando preconceitos de classe, g\u00eanero e ra\u00e7a embutidos nos bancos de dados de treinamento. J\u00e1 o filosofar \u00e9 a experi\u00eancia da disrup\u00e7\u00e3o: \u00e9 o exerc\u00edcio da suspens\u00e3o de ju\u00edzos (<i data-path-to-node=\"30\" data-index-in-node=\"351\">epokh\u00e9<\/i>), da ang\u00fastia da liberdade e do escancaramento ontol\u00f3gico diante do mundo. Uma aplica\u00e7\u00e3o algor\u00edtmica pode ser capaz de alinhar sintaticamente proposi\u00e7\u00f5es kantianas, mas \u00e9 ontologicamente incapaz de experimentar a como\u00e7\u00e3o \u00e9tica diante da injusti\u00e7a ou a responsabilidade pelo destino comum. Enquanto o aut\u00f4mato realiza resumos dos conte\u00fados mortos, a Filosofia na Escola precisa resgatar, pela leitura, a experi\u00eancia existencial do desassossego, da investiga\u00e7\u00e3o conceitual rigorosa e da den\u00fancia das falsas evid\u00eancias.<\/p>\n<p>Dessa incompatibilidade emerge o compromisso com o Letramento Cr\u00edtico Digital no Ensino de Filosofia (Wilke; Miranda Junior, 2025). \u00c9 preciso romper com o mero adestramento instrumental voltado ao manuseio operacional das ferramentas. As juventudes precisam de uma forma\u00e7\u00e3o conceitual que capacite os sujeitos a desconstruir a caixa-preta da tecnologia corporativa. Esse projeto exige investigar a economia pol\u00edtica da infraestrutura digital, revelando desde as cadeias de trabalho prec\u00e1rio na rotulagem de dados at\u00e9 a devasta\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica decorrente do consumo de \u00e1gua e energia dos centros de processamento (Couldry; Mejias, 2019; Morozov, 2018). Implica, ademais, combater os regimes de desinforma\u00e7\u00e3o engendrados pela busca do engajamento lucrativo, analisando como as alucina\u00e7\u00f5es sint\u00e9ticas e a p\u00f3s-verdade degradam a esfera p\u00fablica e instrumentalizam cren\u00e7as coletivas irracionais (Han, 2022; Silva; Wilke, 2023).<\/p>\n<p>Portanto, uma nova miss\u00e3o se perfaz para o Ensino de Filosofia na Escola B\u00e1sica, que precisa:<\/p>\n<ul>\n<li>\n<p data-path-to-node=\"32,0,0\"><b data-path-to-node=\"32,0,0\" data-index-in-node=\"0\">Politizar a infraestrutura:<\/b> Discutir em sala de aula de onde v\u00eam os dados, quem os rotula sob condi\u00e7\u00f5es an\u00e1logas \u00e0 escravid\u00e3o no Sul global, qual o consumo exorbitante de \u00e1gua e energia dos <i data-path-to-node=\"32,0,0\" data-index-in-node=\"190\">data centers<\/i> transnacionais e quem lucra com a media\u00e7\u00e3o digital da escola.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p data-path-to-node=\"32,1,0\"><b data-path-to-node=\"32,1,0\" data-index-in-node=\"0\">Combater a P\u00f3s-Mentira* e a Hipersti\u00e7\u00e3o*:<\/b> Investigar como a governamentalidade algor\u00edtmica n\u00e3o apenas tolera a desinforma\u00e7\u00e3o, mas, ao engendr\u00e1-la sistematicamente como mercadoria lucrativa, cria circuitos de retroalimenta\u00e7\u00e3o em que alucina\u00e7\u00f5es sint\u00e9ticas e mentiras deliberadas passam a moldar cren\u00e7as e pol\u00edticas concretas.<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p data-path-to-node=\"32,2,0\"><b data-path-to-node=\"32,2,0\" data-index-in-node=\"0\">Resgatar a Corporeidade do Encontro Pedag\u00f3gico:<\/b> Reafirmar que a educa\u00e7\u00e3o emancipat\u00f3ria \u00e9 um acontecimento encarnado. Ela exige a presen\u00e7a, o olhar, o sil\u00eancio compartilhado e o atrito entre sujeitos reais reunidos no espa\u00e7o p\u00fablico da sala de aula: dimens\u00f5es ontol\u00f3gicas que nenhuma tela, avatar ou simulador conversacional pode substituir.<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<h2>Pela Soberania Pedag\u00f3gica e Epistemol\u00f3gica da Escola P\u00fablica<\/h2>\n<p>A recusa da tirania algor\u00edtmica n\u00e3o pode ser confundida com rejei\u00e7\u00e3o da t\u00e9cnica, mas a exig\u00eancia radical da sua democratiza\u00e7\u00e3o substantiva. As resolu\u00e7\u00f5es do CNE, do CNPq e da CAPES oferecem balizas de conten\u00e7\u00e3o necess\u00e1rias, mas permanecer\u00e3o limitadas enquanto o Estado brasileiro n\u00e3o implementar uma pol\u00edtica ampla de soberania digital. A emancipa\u00e7\u00e3o da escola p\u00fablica e da universidade depende do financiamento de redes abertas, do desenvolvimento de tecnologias p\u00fablicas audit\u00e1veis e da desconcentra\u00e7\u00e3o do poder das grandes corpora\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas. N\u00e3o est\u00e1 em jogo apenas uma quest\u00e3o econ\u00f4mica, pois, como em todo processo colonial, o colonialismo digital possui uma dimens\u00e3o geopol\u00edtica estruturante.<\/p>\n<p>Para os educadores reunidos na Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Ensino de Filosofia, a responsabilidade do momento hist\u00f3rico \u00e9 inequ\u00edvoca. Os sistemas artificiais continuar\u00e3o simulando a linguagem e prevendo padr\u00f5es estat\u00edsticos; contudo, a recusa \u00e0 servid\u00e3o volunt\u00e1ria, a cr\u00edtica radical e a cria\u00e7\u00e3o de futuros emancipados permanecem como atribui\u00e7\u00f5es exclusivas da vida humana. Fazer da sala de aula uma trincheira de resist\u00eancia \u00e0 governamentalidade algor\u00edtmica \u00e9 a tarefa mais atual e inadi\u00e1vel do of\u00edcio de Ensinar Filosofia. A m\u00e1quina pode calcular, prever e emular a linguagem com espantosa verossimilhan\u00e7a estat\u00edstica; contudo, pensar continua e continuar\u00e1 sendo um ato humano, pol\u00edtico e dissidente. Preservar o espa\u00e7o da sala de aula como trincheira da d\u00favida, da reflex\u00e3o profunda e do encontro intersubjetivo \u00e9 a nossa mais elementar e urgente pr\u00e1tica de ensino, de insubmiss\u00e3o.<\/p>\n<h2>Nota do Autor e Gloss\u00e1rio Conceitual<\/h2>\n<p>As formula\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas apresentadas neste texto inserem-se no \u00e2mbito da pesquisa de disserta\u00e7\u00e3o que desenvolvo no Mestrado Profissional em Filosofia (PROF-FILO \/ UFABC), integrando investiga\u00e7\u00f5es compartilhadas com minha orientadora, Profa. Dra. Val\u00e9ria Wilke (UNIRIO\/UFABC). A fundamenta\u00e7\u00e3o dos conceitos operat\u00f3rios de <em>P\u00f3s-Mentira<\/em> e <em>Hipersti\u00e7\u00e3o<\/em> prov\u00e9m da comunica\u00e7\u00e3o acad\u00eamica intitulada <em>\u201cHipersti\u00e7\u00e3o e P\u00f3s-Mentira: a transi\u00e7\u00e3o da p\u00f3s-verdade operada pela governamentalidade algor\u00edtmica\u201d<\/em>, apresentada no Encontro Nacional do PROF-FILO (ENPROF-FILO) e sintetizadas abaixo:<\/p>\n<p><strong>P\u00f3s-Mentira:<\/strong> Trata-se da transi\u00e7\u00e3o do diagn\u00f3stico da p\u00f3s-verdade, originariamente circunscrita \u00e0 esfera epistemol\u00f3gica (distor\u00e7\u00e3o deliberada de fatos, apelo a emo\u00e7\u00f5es e corros\u00e3o do consenso factual pela prolifera\u00e7\u00e3o de not\u00edcias fraudulentas e informa\u00e7\u00e3o t\u00f3xica), para uma dimens\u00e3o propriamente ontol\u00f3gica. Na p\u00f3s-mentira, a inverdade deixa de ser uma anomalia instrumentalizada para tornar-se o pr\u00f3prio habitat sociot\u00e9cnico do sujeito. Sob a media\u00e7\u00e3o das plataformas digitais e do perfilamento de dados em tempo real, a distin\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica entre verdadeiro e falso perde sua for\u00e7a ordenadora, na medida em que a pr\u00f3pria realidade material, as narrativas compartilhadas e as identidades afetivas s\u00e3o ativamente computadas, moduladas e retroalimentadas por infraestruturas cibern\u00e9ticas que contornam o tempo reflexivo da consci\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>Hipersti\u00e7\u00e3o:<\/strong> Conceito desenvolvido no \u00e2mbito dos estudos de cibercultura e teoria cr\u00edtica por pensadores como Mark Fisher e Nick Land, designa fic\u00e7\u00f5es operantes que possuem a capacidade de se materializar e produzir realidade objetiva por meio de circuitos de retroalimenta\u00e7\u00e3o (feedback positivo) tecnocultural. Diferente da mera mentira ou da supersti\u00e7\u00e3o passiva, a hipersti\u00e7\u00e3o atua como um operador ontol\u00f3gico: trata-se de uma narrativa ficcional que, ao ser inserida na din\u00e2mica da governamentalidade algor\u00edtmica e na economia da aten\u00e7\u00e3o, captura cren\u00e7as, autopercep\u00e7\u00f5es e afetos coletivos, for\u00e7ando o comportamento humano e as institui\u00e7\u00f5es a performarem no presente as condi\u00e7\u00f5es exatas que tornam aquela fic\u00e7\u00e3o um fato hist\u00f3rico consumado. O sujeito, enredado na automa\u00e7\u00e3o algor\u00edtmica, abdica da ang\u00fastia reflexiva e passa a co-produzir na materialidade o del\u00edrio gerado pela m\u00e1quina.<\/p>\n<h2>Refer\u00eancias<\/h2>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">BRASIL. Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico. <strong>Portaria CNPq n\u00ba 2.664, de 14 de mar\u00e7o de 2026<\/strong>. Institui a Pol\u00edtica de Integridade na Atividade Cient\u00edfica do CNPq e detalha diretrizes para o uso de intelig\u00eancia artificial generativa na pesquisa apoiada pelo CNPq. Bras\u00edlia, DF: CNPq, 2026b. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"https:\/\/www.gov.br\/cnpq\/pt-br\/assuntos\/noticias\/cnpq-em-acao\/cnpq-publica-portaria-que-institui-politica-de-integridade-na-atividade-cientifica\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.gov.br\/cnpq\/pt-br\/assuntos\/noticias\/cnpq-em-acao\/cnpq-publica-portaria-que-institui-politica-de-integridade-na-atividade-cientifica<\/a>&gt;. Acesso em: 25 set. 2026.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">BRASIL. Conselho Nacional de Educa\u00e7\u00e3o. Comiss\u00e3o Especial de Intelig\u00eancia Artificial. <strong>Texto-Refer\u00eancia: Diretrizes para a Utiliza\u00e7\u00e3o da Intelig\u00eancia Artificial na Educa\u00e7\u00e3o Brasileira<\/strong>. Bras\u00edlia, DF: MEC\/CNE, 2026a. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"https:\/\/www.gov.br\/mec\/pt-br\/cne\/2026\/maio-2026\/texto-referencia-inteligencia-artificial-consulta-publica.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.gov.br\/mec\/pt-br\/cne\/2026\/maio-2026\/texto-referencia-inteligencia-artificial-consulta-publica.pdf<\/a>&gt;. Acesso em: 25 set. 2026.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">BRASIL. Coordena\u00e7\u00e3o de Aperfei\u00e7oamento de Pessoal de N\u00edvel Superior. <strong>A intelig\u00eancia artificial na pesquisa e no fomento: desafios e perspectivas<\/strong>. Relat\u00f3rio T\u00e9cnico Institucional. Bras\u00edlia, DF: CAPES, 2025. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"https:\/\/www.gov.br\/capes\/pt-br\/centrais-de-conteudo\/23042025_Relatorio_2575649_A_inteligencia_artificial_na_pesquisa_e_no_fomento.pdf\/@@display-file\/file\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.gov.br\/capes\/pt-br\/centrais-de-conteudo\/23042025_Relatorio_2575649_A_inteligencia_artificial_na_pesquisa_e_no_fomento.pdf<\/a>&gt;. Acesso em: 25 set. 2026.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">COULDRY, Nick; MEJIAS, Ulises A. <strong>The Costs of Connection: How Data Is Colonizing Human Life and Appropriating It for Capitalism<\/strong>. Stanford: Stanford University Press, 2019.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">DURAND, C\u00e9dric. <strong>Technof\u00e9odalisme: critique de l&#8217;\u00e9conomie num\u00e9rique<\/strong>. Paris: La D\u00e9couverte, 2020.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">FOUCAULT, Michel. <strong>Nascimento da biopol\u00edtica: curso dado no Coll\u00e8ge de France (1978-1979)<\/strong>. Tradu\u00e7\u00e3o de Eduardo Brand\u00e3o. S\u00e3o Paulo: Martins Fontes, 2008.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">HAN, Byung-Chul. <strong>Psicopol\u00edtica: o neoliberalismo e as novas t\u00e9cnicas de poder<\/strong>. Tradu\u00e7\u00e3o de Maur\u00edcio Liesen. Belo Horizonte: \u00c2yin\u00e9, 2014.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">HAN, Byung-Chul. <strong>Infocracia: digitaliza\u00e7\u00e3o e a crise da democracia<\/strong>. Tradu\u00e7\u00e3o de Gabriel Salvi Philipson. Petr\u00f3polis: Vozes, 2022.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">MIRANDA JUNIOR, Gilberto. Da Governamentalidade Disciplinar \u00e0 Governamentalidade Algor\u00edtmica: a plataformiza\u00e7\u00e3o da Escola P\u00fablica Paulista como dispositivo neoliberal de subjetiva\u00e7\u00e3o, controle e manipula\u00e7\u00e3o. <strong>REFilo \u2013 Revista Digital de Ensino de Filosofia<\/strong>, Santa Maria, v. 12, n. 1, p. 1-24, 2026. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"https:\/\/periodicos.ufsm.br\/refilo\/article\/view\/94857\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/periodicos.ufsm.br\/refilo\/article\/view\/94857<\/a>&gt;. Acesso em: 25 set. 2026.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">MOROZOV, Evgeny. <strong>Big Tech: a ascens\u00e3o dos dados e a morte da pol\u00edtica<\/strong>. Tradu\u00e7\u00e3o de Claudio Marcondes. S\u00e3o Paulo: Ubu Editora, 2018.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">ROUVROY, Antoinette. Algorithmic Governmentality and the Death of Politics. <strong>Green European Journal<\/strong>, Bruxelas, 27 mar. 2020. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"https:\/\/www.greeneuropeanjournal.eu\/algorithmic-governmentality-and-the-death-of-politics\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.greeneuropeanjournal.eu\/algorithmic-governmentality-and-the-death-of-politics\/<\/a>&gt;. Acesso em: 10 set. 2026.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">ROUVROY, Antoinette; BERNS, Thomas. Governamentalidade algor\u00edtmica e perspectivas de emancipa\u00e7\u00e3o: o d\u00edspar como condi\u00e7\u00e3o de individua\u00e7\u00e3o pela rela\u00e7\u00e3o? <em>In<\/em>: BRUNO, Fernanda et al. (org.). <strong>Tecnopol\u00edticas da vigil\u00e2ncia: perspectivas da margem<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2018. p. 107-139.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">SILVA, Andr\u00e9 J.; WILKE, Val\u00e9ria Cristina Lopes. O valor da Desinforma\u00e7\u00e3o no contexto do Capital Informa\u00e7\u00e3o. <strong>Logeion: Filosofia da Informa\u00e7\u00e3o<\/strong>, Rio de Janeiro, v. 9, n. 2, p. 45-68, 2023. Dispon\u00edvel em &lt;<a href=\"https:\/\/enancib.ancib.org\/enancib\/pt_BR\/article\/view\/441\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/enancib.ancib.org\/enancib\/pt_BR\/article\/view\/441\/<\/a>&gt;. Acesso em: 15 set. 2026<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">VAROUFAKIS, Yanis. <strong>Technofeudalism: what killed capitalism<\/strong>. London: The Bodley Head, 2023.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">WILKE, Val\u00e9ria Cristina Lopes. <strong>O dispositivo informacional: informa\u00e7\u00e3o, Estado e poder na contemporaneidade a partir do contexto das pol\u00edticas p\u00fablicas de inclus\u00e3o digital do Governo brasileiro<\/strong>. Ago., 2009. Tese (Doutorado em Ci\u00eancia da Informa\u00e7\u00e3o). UFF\/Ibict, Rio de Janeiro. Orientador: Jos\u00e9 Maria Jardim.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">WILKE, Val\u00e9ria Cristina Lopes. Fisgados pelos n\u00f3s das redes no mar que navegamos: informa\u00e7\u00e3o e regime de visibilidade. <strong>Quadranti: Rivista Internazionale di Filosofia Contemporanea<\/strong>, Salerno, v. 5, n. 1-2, p. 89-112, 2017. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"https:\/\/www.rivistaquadranti.eu\/riviste\/06\/Wilke_03.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.rivistaquadranti.eu\/riviste\/06\/Wilke_03.pdf<\/a>&gt;. Acesso em: 10 set 2026.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">WILKE, Val\u00e9ria Cristina Lopes; SANTOS FEIJ\u00d3, Marcelo. Aspectos da plataformiza\u00e7\u00e3o educacional na educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica brasileira: a \u201cEscola do Cansa\u00e7o\u201d na era do Big Data. <b>Logeion: Filosofia da Informa\u00e7\u00e3o<\/b>, Rio de Janeiro, RJ, v. 10, n. esp2, p. 418\u2013437, 2023. DOI: <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.21728\/logeion.2023v10nesp2.p418-437\">10.21728\/logeion.2023v10nesp2.p418-437<\/a>. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"https:\/\/revista.ibict.br\/fiinf\/article\/view\/6780\">https:\/\/revista.ibict.br\/fiinf\/article\/view\/6780<\/a>&gt;. Acesso em: 24 set. 2026.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">WILKE, Val\u00e9ria Cristina Lopes. CIDADANIA E SOBERANIA DIGITAIS PARA O USO EMANCIPADOR DAS TECNOLOGIAS DIGITAIS NO ENSINO DE FILOSOFIA:: POLITIZAR AS TECNOLOGIAS. <b>Problemata &#8211; Revista Internacional de Filosofia<\/b>, <i>[S. l.]<\/i>, v. 15, n. 1, p. 377\u2013390, 2024. DOI: 10.7443\/problemata.v15i1.70314. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"https:\/\/periodicos.ufpb.br\/index.php\/problemata\/article\/view\/70314\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/periodicos.ufpb.br\/index.php\/problemata\/article\/view\/70314<\/a>&gt;. Acesso em: 26 set. 2026.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">ZUBOFF, Shoshana. <strong>A era do capitalismo de vigil\u00e2ncia: a luta por um futuro humano na nova fronteira do poder<\/strong>. Tradu\u00e7\u00e3o de George Schlesinger. Rio de Janeiro: Intr\u00ednseca, 2020.<\/span><\/p>\n\n    <div class=\"xs_social_share_widget xs_share_url after_content \t\tmain_content  wslu-style-1 wslu-share-box-shaped wslu-fill-colored wslu-none wslu-share-horizontal wslu-theme-font-no wslu-main_content\">\n\n\t\t\n        <ul>\n\t\t\t        <\/ul>\n    <\/div> \n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Exame cr\u00edtico dos marcos regulat\u00f3rios da IA na educa\u00e7\u00e3o (CNE, CNPq e CAPES) sob a \u00f3tica da governamentalidade algor\u00edtmica, do tecnofeudalismo e do colonialismo de dados, afirmando o Ensino de Filosofia como pr\u00e1tica de insubmiss\u00e3o e letramento cr\u00edtico 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